Masami Kurumada: criador dos Cavaleiros do Zodíaco deu entrevista coletiva e declarou ter levado golpe bilionário no Japão!

📅quarta-feira, 02 de setembro de 2026, as 09h28min

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Masami Kurumada, o criador dos Cavaleiros do Zodíaco, realizou uma coletiva de imprensa na manhã deste dia 2 de setembro de 2026, em Tóquio, para anunciar que um ex-diretor seu aplicou um golpe, desviando cerca de 4,6 bilhões de ienes (quase R$ 150 milhões), das suas três empresas, incluindo a Kurumada Pro. Vale ressaltar que este ex-diretor esteve envolvido na fundação da Kurumada Pro e conhecia o Kurumada há mais de 15 anos.

Kurumada entrou com um processo no Tribunal Distrital de Tóquio, buscando uma indenização de aproximadamente 2,8 bilhões de ienes (cerca R$ 90 milhões), após a dedução dos 1,8 bilhão de ienes (cerca de R$ 58 milhões) que já haviam sido restituídos.

De acordo com a denúncia, o ex-diretor supervisionava as operações contábeis e as negociações externas das três empresas e, entre 2018 e 2024, teria transferido fundos das três empresas sem autorização para contas em nome de diversas empresas que estavam sob seu controle, além de ter recebido nessas contas taxas de licenciamento de parceiros comerciais.

A equipe de Kurumada afirma que 7 pessoas no total, incluindo o ex-executivo, estiveram envolvidas no desfalque. Alegam que os fundos foram usados ​​para investimentos em criptoativos (moedas virtuais) e que, para evitar a detecção, criaram secretamente uma empresa disfarçada de afiliada para receber as transferências dos parceiros comerciais.

O ex-executivo admitiu o desvio ilegal de fundos para o Kurumada, mas também ofereceu desculpas como "Fiz isso para o seu próprio bem".

De acordo com o advogado Tomohiro Nozaki, representante de Kurumada, o ex-diretor aproveitou-se do desejo de Kurumada de se concentrar em seu trabalho criativo e centralizou toda a comunicação com ele. Durante muitos anos, espalhou "mentiras" sobre Kurumada e bloqueou o contato entre partes relacionadas e parceiros comerciais com o próprio Kurumada. Cortou informações e criou uma situação em que somente ele podia entender os assuntos contábeis.

Frases como: "O Sr. Kurumada é um artista e um misantropo, por isso não se encontra com outras pessoas. Ele não se comunica com ninguém além de si mesmo sobre o que está fazendo." ajudavam a lapidar o plano através de mentiras.

O relacionamento entre Kurumada e o ex-diretor remonta a cerca de 25 anos. Na época, o homem era editor de Kurumada como funcionário contratado da Shueisha e, após o encerramento da publicação da revista Super Jump, começou a trabalhar para Kurumada. Ele propôs a Kurumada a criação de empresas e o ajudou a estabelecer três empresas para lidar com a gestão de direitos autorais, etc.: NEXT WING Co. Ltd., Kurumada Production Co. Ltd. e K-PROJECT Co. Ltd., sendo encarregado de toda a contabilidade e negociações externas. No entanto, acredita-se que um plano meticuloso estava em andamento nos bastidores. O advogado Hiroyuki Kawai destacou a sofisticação das táticas na coletiva de imprensa, dizendo: "Eles endeusaram o Sr. Kurumada, alegando que ele era uma pessoa difícil que não se encontrava com ninguém, e que se você tivesse algo a dizer, deveria me contar tudo, e bloquearam todos."

Acredita-se que os métodos de desfalque consistiram principalmente em três tipos. O primeiro foi o desvio de taxas de licenciamento. O ex-diretor criou uma empresa com um nome muito semelhante a "NEXT WING", a empresa de gestão do Kurumada. Ele supostamente instruiu parceiros comerciais estrangeiros a transferir taxas de licenciamento que deveriam ter sido pagas à NEXT WING para essa empresa separada que ele controlava. O segundo tipo consistiu em transferências não autorizadas de fundos da empresa para empresas que ele controlava ou para contas pessoais de seu irmão e conhecidos, sem justificativa. O terceiro tipo foi um esquema extremamente malicioso que explorou o sistema de resseguro de seguradoras estrangeiras. Os prêmios de seguro pagos pela empresa do Kurumada às seguradoras foram transferidos para seguradoras estrangeiras diversas vezes por meio de resseguro e re-resseguro, e finalmente depositados em uma empresa estrangeira controlada pelo ex-diretor.

A descoberta foi desencadeada por uma investigação fiscal nacional, e os documentos de resposta também continham assinaturas falsificadas.

O incidente veio à tona por volta de fevereiro de 2024. O estopim foi uma auditoria fiscal da Receita Federal. No entanto, o bloqueio de informações do ex-diretor se estendia também à Receita Federal, e ele havia ocultado de Kurumada o fato de que uma investigação estava em andamento. Quando a Receita Federal enviou uma carta de intimação ao próprio Kurumada, ele apresentou um formulário de resposta falsificado, com uma assinatura que imitava a caligrafia de Kurumada e um carimbo de papel colorido usado sem autorização. Ficou claro que ele havia tentado enganar até mesmo a Receita Federal. Conforme a Receita Federal investigava o fluxo suspeito de dinheiro, um desfalque maciço foi descoberto. Quando os advogados interrogaram o ex-diretor, foi revelado que ele havia investido os fundos desviados em criptomoedas. Felizmente, alguns ativos permaneceram, e, como resultado da investigação dos advogados, aproximadamente 1,8 bilhão de ienes foram recuperados.

Na coletiva de imprensa, Kurumada disse: "Não consegui acreditar quando tudo veio à tona. É uma sensação extremamente desoladora perceber que existem pessoas capazes de trair tão facilmente aqueles em quem confiavam para obter ganhos egoístas."

Por fim, ele completou:

"Eu nunca tinha visto pessoas más no mundo dos animes e mangás. Em certo momento, quase perdi a fé na humanidade. Se as coisas tivessem dado errado, a produtora poderia ter falido e eu poderia ter sido arruinado como artista de mangá."

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Declaração completa do mestre Kurumada:

No momento em que isso foi descoberto, eu não conseguia acreditar. Mais do que raiva, a situação passou dos limites e me deixou com um sentimento de grande vazio.

É uma sensação de impotência indescritível constatar que existem pessoas que traem friamente aqueles que confiavam nelas, por pura ganância e egoísmo.

Ele acabou encarregado da contabilidade da Kurumada Pro, e deixei toda a movimentação de dinheiro nas mãos desse homem.

Ele continuou com esses desvios por mais de 10 anos. Eu não fazia a menor ideia disso, e foi assim que chegamos a este ponto.

Houve um momento em que eu mesmo quase passei a duvidar e não confiar mais nas pessoas.

No entanto, daqui para frente, pelos meus leitores e por todas as pessoas ao redor do mundo que amam Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) e os mangás do Kurumada, eu quero continuar me esforçando e trabalhando nas minhas obras.

Como eu queria me concentrar exclusivamente na produção e desenho dos mangás, eu dizia: "Então vou deixar o resto das coisas com você", e era mais ou menos assim que trabalhávamos.

Três empresas foram lesadas: uma empresa chamada Next Wing, a empresa Kurumada Production e a K-Project.

Houve uma quantidade enorme de retiradas financeiras não autorizadas contra essa empresa chamada Next Wing.

Para se passar por uma empresa relacionada à Next Wing, ele criou por conta própria uma empresa chamada Next Wing International, da qual ele mesmo era o diretor, e lá...

Os valores de licenciamento que originalmente deveriam entrar para a Next Wing, ele pedia: "Não pague para essa Next Wing, por favor, paguem para a Next Wing International", interceptando e desviando os pagamentos dessa forma.

A gente ouve falar sobre esses casos de apropriação indébita (desvio de dinheiro) de vez em quando nos noticiários, não é? Mas eu nunca tinha visto uma pessoa ruim no mundo dos animes e mangás, sabe?

Eu mesmo atuo neste meio há mais de 50 anos, então, por isso, no começo eu realmente não conseguia acreditar, esse sentimento era muito forte em mim.

Era como um "Por quê? Mas por que isso?". Sim, esses são meus sentimentos mais honestos.

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