Masami Kurumada: todos os detalhes da entrevista concedida pelo criador dos Cavaleiros do Zodíaco a revista Shukan Shincho!

📅sábado, 12 de setembro de 2026, as 10h18min
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Confira todos os detalhes da entrevista que o criador dos Cavaleiros do Zodíaco, o mestre Masami Kurumada, concedeu a revista japonesa Shukan Shincho, publicada recentemente.

Monólogo do autor de "Os Cavaleiros do Zodíaco" (Saint Seiya), o Sr. Masami Kurumada:

"Foi assim que fui enganado pelo homem que desviou 4,6 bilhões"

O valor total dos danos passa do montante sem precedentes de 4,6 bilhões de ienes. O mangaká Masami Kurumada (72), conhecido por obras como "Ring ni Kakero" e "Os Cavaleiros do Zodíaco", abriu um processo no dia 2 deste mês exigindo indenização por desvio de fundos da empresa. O principal réu é o Sr. M, um ex-empresário na faixa dos 50 anos de idade. Afinal de contas, que tipo de pessoa ele era? Fomos ouvir o que o Sr. Kurumada tinha a dizer.

"Para confiar nas pessoas, não é preciso de provas ou qualquer outra coisa!"

Esta é a frase dita por Seiya, protagonista de "Os Cavaleiros do Zodíaco", no episódio 38 da versão em anime para a TV. Não há necessidade de provar se a verdadeira identidade da heroína, Saori, é a deusa Atena. Eu apenas a protejo porque acredito nela. É uma frase que expressa os sentimentos de Seiya.

O anime desta obra foi transmitido em mais de 80 países, e o mangá registrou um grande sucesso, ultrapassando a marca de 50 milhões de cópias impressas dentro e fora do Japão. Na história, que retrata a amizade dos jovens rapazes através de batalhas contra inimigos, a importância de "confiar nas pessoas" está imbuída por toda a parte.

"O que eu venho produzindo ao longo de meio século são, consistentemente, mangás shonen (para garotos). Não se pode passar a mensagem de não confie nas pessoas para as crianças. Afinal, as pessoas são seres dignos de confiança e, o fato de as pessoas poderem confiar umas nas outras, não é algo precioso?"

Quem fala com tanta convicção é o próprio Sr. Kurumada.

No entanto, quem diria que, neste caso, essa sua crença se voltaria contra ele...

"M conseguiu cometer esse ato audacioso justamente porque havia compreendido a minha personalidade."

O que desencadeou a descoberta do desvio foi uma auditoria fiscal no início do ano retrasado.

Como o valor das declarações de impostos era baixo e foram confirmadas movimentações suspeitas de fundos, levantou-se a suspeita de evasão fiscal. Depois disso, ao longo das tratativas entre as autoridades e a equipe do Sr. Kurumada para o avanço da investigação, o desvio cometido por M veio à tona.

"Eu confiava ao M a caderneta da conta bancária, os cartões, meu carimbo pessoal, tudo. Confiava nele até esse ponto. No início, não achei que ele tivesse se apropriado de uma quantia tão colossal. Se fosse algo na casa de alguns milhões de ienes, eu pretendia gritar com ele e depois perdoá-lo rindo. Porém, quando vi o quadro geral, entendi que fui completamente traído e fiquei tomado por um sentimento de impotência."

O Sr. M era diretor de três empresas representadas pelo Sr. Kurumada, incluindo a "Kurumada Production". Encarregado da contabilidade e das relações públicas, ele administrava os fundos e consta que começou a desviar dinheiro de várias maneiras, como transferindo depósitos da empresa de Kurumada sem autorização.

Em 12 de março do ano retrasado, quando as provas já começavam a se acumular, o Sr. Kurumada convocou o Sr. M para uma conversa junto com seus representantes, os advogados Hiroyuki Kawai e Tomohiro Nozaki:

"Ele admitiu o desvio na hora. Quando o pressionamos, com base nas provas, sobre quanto ele tinha levado, o próprio disse que foram cerca de 1,8 bilhão de ienes. Eu o fiz assinar uma carta de compromisso jurando devolver o dinheiro naquele exato momento e o demiti, mas, ao ir embora, o M disse algo inacreditável: Sensei. Quando este problema for resolvido, você não me contrataria de novo?. Ele devia estar me menosprezando, achando que eu era o tipo de pessoa que perdoaria qualquer coisa."

Naquela época, a extensão total do dano ainda não estava clara. Contudo, à medida que a investigação avançava, descobriu-se que o valor não parava em 1,8 bilhão. No final das contas, estima-se que o montante total desviado sob a liderança do Sr. M foi de mais de 4,6 bilhões de ienes. Embora cerca de 1,8 bilhão de ienes tenham sido recuperados com base no termo de compromisso assinado, o paradeiro dos 2.896.880.000 de ienes restantes ainda é desconhecido.

A audácia do Sr. M, que mesmo admitindo o desvio ainda mentiu afirmando que o valor era de 1,8 bilhão, é espantosa. Se os 1,8 bilhão não tivessem retornado à empresa do Sr. Kurumada, ele nem conseguiria pagar os impostos e corria o risco de ir à falência.

"Ficou claro que ele me subestimou, achando que eu era negligente com dinheiro e não notaria os outros 2,8 bilhões. Na verdade, recebi uma carta dele em maio deste ano, na qual não constava nenhum pedido de desculpas, mas sim o seguinte:"

"A pessoa em quem confiei, até o fim..."

(Após devolver tudo ao professor Kurumada, acabei ficando com uma cobrança da Receita Nacional que chega a 300 milhões de ienes, a qual continuo sem conseguir pagar.)

(Portanto, desta vez, venho, de forma muito indelicada, solicitar o cancelamento da hipoteca.)

(Minha esposa me pediu o divórcio e estou sentindo na pele a minha estupidez por não poder cumprir meu dever de pai para com a minha amada filha.)

O Sr. Kurumada continua:

"Ele tentou apelar para a emoção, mas a própria premissa de que ele estaria pagando pelos seus pecados é falsa. Além disso, ele pediu para cancelar o registro provisório da hipoteca do apartamento onde mora, mas se é assim, com o que ele gastou os 2,8 bilhões que ainda não devolveu? Agora que abri o processo e o número de 4,6 bilhões veio a público, acredito que ele finalmente esteja em pânico, percebendo que a verdade inteira veio à tona."

O Sr. M é natural da cidade de Sendai. Ele se destacava por ser excelente desde os tempos de colégio e, após se mudar para Tóquio, começou a fazer bicos na editora Shueisha durante a época de estudante. Posteriormente, tornou-se o editor encarregado do Sr. Kurumada na mesma editora. Contudo, por não ser um funcionário efetivo, ele perdeu o rumo quando o departamento editorial ao qual pertencia foi dissolvido em 2011. Foi então que ele abordou o Sr. Kurumada para propôr a abertura de uma empresa; após isso se concretizar, ele assumiu o cargo de diretor no ano seguinte.

"Na minha frente, ele sempre mantinha uma postura comportada, como um gato assustado. Desde a época em que era editor, eu o considerava um cara sério. Porém, olhando em retrospecto, havia muitas falhas nele. Não havia nenhum tipo de relato, comunicação ou consulta da parte dele em relação aos negócios envolvendo os personagens."

Houve momentos em que, sem que o Sr. Kurumada soubesse, a arte de "Os Cavaleiros do Zodíaco" foi amplamente usada em ônibus que circulavam pelas ruas.

"Eu achei estranho e, quando perguntei O que é aquilo?, o M deu uma resposta evasiva. Embora eu mesmo acabasse deixando para lá, apenas o repreendendo com um Da próxima vez me avise. Acho que isso não foi bom."

Foi assim que o Sr. M passou a tratar a empresa do Sr. Kurumada como se fosse de sua propriedade privada.

"Nos anos de maior gasto, ele registrava mais de 50 milhões de ienes em despesas de entretenimento. É provável que parte do dinheiro tenha sumido com diversões, mas deve haver uma parte que foi destinada à lavagem de dinheiro. Da quantia de 1,8 bilhão que já foi recuperada, a maior parte havia sido convertida em criptomoedas, e o valor estava sendo mantido por três pessoas: o próprio A, seu irmão mais novo e uma mulher misteriosa que, suspeita-se, seria uma amante, alguém diferente da sua esposa."

A respeito da perspectiva de transformar o caso em um processo criminal, o advogado Nozaki, que o representa, comentou:

"Como ocorreu um prejuízo tão grande, a polícia fatalmente terá de agir. O próprio autor do crime confessou o desvio de 1,8 bilhão e, além disso, as provas, como o histórico de transferências referentes aos 2,8 bilhões restantes, já estão todas reunidas."

Quando questionamos uma pessoa que conhece o Sr. M sobre se ela não teria nenhuma pista sobre o paradeiro da enorme quantia desviada, ele disse:

"Há alguns anos ele contava, ostentando sucesso, que a esposa e os filhos tinham ido morar no Havaí. Ele também costumava frequentar muito os clubes de luxo em Ginza e Roppongi. Ainda assim, ele não é o tipo que joga (aposta), então me pergunto no que ele poderia ter gastado uma quantia daquelas."

Sobre a avaliação da sua personalidade, ela diz:

"A atitude ele mudava drasticamente quando estava bêbado. Forçava as pessoas a beber de uma vez só e dava sermão nos outros com ar de superioridade. Ele vivia se gabando, dizendo que, como o professor Kurumada não compreendia as coisas do mundo, era ele quem cuidava disso para ele. Provavelmente sentia um grande prazer em se impor usando da autoridade (fama) de outra pessoa."

Por que ele teria se deixado enganar por um homem como esse? Ao perguntar ao Sr. Kurumada:

"Podem haver pessoas que pensem que eu sou um ignorante sobre o mundo, mas isso não é verdade. Eu nasci na área popular (Shitamachi) de Tsukishima, em Tóquio, e cresci cercado por adultos enérgicos e durões. Quando estava no ensino fundamental, entregava jornais e, quando estava no ginásio (ensino médio), vivia correndo de um lado para o outro fazendo bicos em lojas de sushi e fábricas metalúrgicas, vendo todo tipo de adulto. Eu achava que pelo menos tinha um bom olho para julgar as pessoas. Acabar terminando com esse resultado é, de verdade, lamentável..."

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